céu de giz

silêncio e luzes acesas por toda parte minha sombra na janela afia garras num céu de giz . vaga necessidade vagueia musa sob a lua de artifícios e noites frias . os saltos na arritmia das horas altas – marcapassos e sem espectadores atravessam cegos a pista de alta tensão

a viagem

quando acordar amanhã estarei noutra cidade talvez noutro país . quando não mais acordar estarei ao teu lado para terminarmos aquela conversa interrompida por um tiro

avant-premiére

quarto de hotel anônimas janelas abertas pro fim da tarde . na recepção a ficha identifica o nome fictício convém ana anárquica anacrônica e os comprimidos comprimidos no vidro e a bala na boca do revólver e a respiração difícil e tensa das estréias

lilás

vou voo livre varando veias canções mulher do strip no script muita ação bebendo até altas horas me convido para dançar e danço mesmo sem música que a vida é dura . tem um sujeito que quer só a mim só para ele mas gosto do que faço dançar sem fim gritar paris quando um … Mais lilás

dominical

sonhos desfilam pela praça pública de passantes e passarinhos . mãos tateiam cegas pela densidade do corpo . desejos escondem-se recuam medo das feras difamarem a menina que se apronta para a missa do domingo

atravessando

uma poltrona antiga e um gato cinza a brincar com os últimos fiapos de luz . lãs agulhas lembranças costuro uma estória para me guiar pelos assombros da noite . lá fora o tempo se fia aqui eu e meu gato bichos domésticos em sonolenta vigília

sala de estar

a caixa se ilumina sombras na parede revelam as sobras dos fatos farelos do dia . cores rostos lugares matéria-prima do drama que se derrama na sala . nossos olhos não se cruzam atentos às receitas de sucesso e anestésico . emparedada a vida